06 December 2009

SERIAL KILLERS NACIONAIS 09

Deu-me a vontade de mais um top ten, desta vez 5 hot e 5 not so hot da temporada de 2009

Sem dúvida é um top pessoal, se quiserem contrapor ou propor o vosso mandem.


5 HOT
Nuno "Ossos", S.L.B. - Não conhecem? Não sabem o que é pb nacional! O Ossos é um dos jogadores com maior entrega, anda cá desde final de 2004, vi no começo ele e o irmão a serem "drillados" pelo Humberto ele resistiu e tornou-se no que é. Esta foi provavelmente a sua melhor temporada (CN, TRN, MS SPL).
Leva um 100% pelo trabalho.

Ricardo "Máquinas", Metralhas - Já não é jovem mas continua por cá qualquer dia torna-se no jogador com mais anos disto e ainda tem muito para dar é sobretudo bastante consistente e entregue. Provavelmente também foi a sua melhor temporada Nacional e também boa nos regionais.
Leva um 90% pela constante presença.

Sven, Azimut - Pode ser que seja um dos melhores jogadores que a equipa Algarvia tem, falta-lhe algum espirito de equipa (secalhar falta à equipa toda, quando os vejo), no entanto também ajudou a equipa a conquistar a melhor posição no Nacional até à data.
Leva um 80% pela técnica e vontade.

João "Anjix", Xplosiv - Falta-lhe alguma calma às vezes, deixa-se inundar pela adrenalina e os que o rodeiam ninguém sabe ainda "ajudar". O estar a 100km/h enquanto a equipa ainda está a arrancar não ajuda no trabalho de equipa, mas ajudou a equipa a ficar em 2º lugar devido à consistência no seu escalão do Nacional.
Leva um 75% por não ter conquistado nenhum primeiro lugar no Nacional.

Telmo Garcia, S.L.B. B - Senão tivesse de fazer a vez de "pai" na equipa seria provavelmente um dos melhores inserts actualmente. Mas se tem de fazer de pai recomendo que na próxima temporada seja a 100% e faça os "filhos fazer o trabalho de casa para o pai também se divertir" (ok metáfora complicada eu admito). Estiveram no quase a época toda, ganharam quase dois regionais, e o nacional começou frio e acabou quente.
Leva um 70% por também não ter conquistado nenhum 1º lugar no Nacional.


5 NOT SO HOT
Diogão, Titans - Está sem dúvida a divertir-se mais e isso é importante mas nos Bunkerkids produzia mais.
Leva um 55%, este ano deveria ter sido mais produtivo depois de ter conquistado um primeiro posto na temporada anterior no Nacional e ter contribuido para a conquista do regional.

Tiago, Bunkerkids/S.C.P. - Já foi melhor jogador em vários aspectos. Simplesmente não cumpriu nos Bunkerkids.
Leva um 49%, continua a ter técnica e entrega mas vê-se que anda distraido e sempre à procura da desculpa fácil.

Toni, Azimut - Tem um estilo interessante falta amadurecer.
Leva um 50%, e só aparece porque também tem uma técnica e jogo engraçados, com mais confiança e carisma pode ser um jogador a ser seguido.

Fernando "Viagra",S.C.P. - É impressionante a consistência do seu jogo e a sua concentração e calma (se houvesse valores que pudessem ser transmitidos), pena não ser acompanhado.
Leva um 60%, porque é consistente mas não foi suficiente para ajudar a sua equipa.

Filipe Mendes, S.L.B. - Quando aparece continua a dar frutos, mas raramente vem à "apanha da fruta".
Leva um 55%, técnicamente continua a ser um dos melhores back players mas em nada isso contribuiu para o seu esforço no colectivo da equipa.

Jaime Menino

01 December 2009

10 Dicas para Arbitrar

Com o fim da época Nacional e regionais mais antigos, deixo aqui umas dicas. Não vai ser um post polémico nem nada do género. Apenas as minhas dez dicas favoritas para quem for arbitrar para a melhoria do serviço. Já agora peço desculpa porque as dicas não são "minhas", são de várias pessoas, apenas as estou a adaptar e ver se consigo transmitir a mais algumas pessoas.


1 - Ler as Regras, e levar um exemplar impresso para o local.

Isto evita aqueles constantes não saber, e erros básicos bastante evitáveis. Tem uma dúvida, param para pensar e consultam as regras. Não fiquem pelo o "disseram-me que era assim" para se justificarem, ou o "é assim no outro lado".


2 - Não ser arrogante, agressivo ou simplesmente rude mas sim ser educado e informativo.

Os jogadores estão em modo "predador", gritar de forma autoritária como quem grita com o filho ou animal de estimação que não obedece apenas vai inflamar a relação jogador equipa de arbitragem.
Este ano desde berros a dizer FORA de forma efusiva como se o jogador soubesse o que estava a fazer, em vez de dizer por exemplo "fora, tens um tiro no battlepack", ou "fora, tens um tiro no loader". Qualquer uma destas frases serve por ser das situações mais habituais de tiro e mancha que os jogadores às vezes não se apercebem, tinham desarmado muito conflito e dissabor. Ah! sobretudo não ser mesmo mal educado e colocar as asneiras nas indicações, como a minha favorita que observei em campo deste ano foi "põe-te no crlh...".
O jogador está a desobedecer uma indicação simples, depois de ter claramente captado a indicação, simples aplicar (provavelmente mais uma) penalização.
Já agora ter alguma experiência não é carta branca para serem uns arrogantes e idiotas, porque toda a gente comete erros e quem não for arbitrar com isso em mente e preparado para lidar com eles, é preferivel não ir.


3 - Saber a sinalética e aplicá-la.

A quantidade de pessoas que vai dar o sinal de limpo com a outra mão na cabeça para se proteger é bastante grande e pode induzir em erro, fora os que também dão sinalética cedo demais e depois arrependem-se. Para a primeira situação o melhor é mudarmos a sinalética para a versão Americana (a nossa antiga de fora).

4 - Dar-se cordialmente na prova de igual forma com todas as equipas.

Se arbitram nessa prova equipas mais conhecidas que outras evitem dar dicas, sobretudo se a outra equipa é a vossa equipa irmã.
Já agora também não aceitem ofertas de jogadores ou equipas se os estão a arbitrar.

5 - (X-ball lite) O senhor da mesa está a controlar o tempo.
Ele não é o vosso paí ou juiz supremo, está a facilitar a tarefa não está a fazer a vossa tarefa.

6 - Vão convenientemente equipados, para suportar levar tiros.
Se for caso levem battlepack vazio ajuda a proteger bastante, cotoveleiras, joelheiras nos braços também ajuda, toalha ao pescoço, sweatshirt, luvas. Mas não tenham medo de entrar nos sitios e checkarem os jogadores.

7 - Façam as tomadas de decisão ou apliquem as regras.
Não precisam de ser fulminantes a aplicar, mas tem de as aplicar e mantenham a decisão não sejam convencidos pelos jogadores de as não tomarem por qualquer forma de compaixão. Não é culpa vossa o jogador ter infringido as mesmas. As regras são preto e branco não são cinzento.

8 - Equilibrem o trabalho da equipa em campo.
Se tem alguém a fazer menos porque secalhar sabe menos, secalhar está na altura de o mudar de posição.

9 - Coloquem os árbitros em campo com lógica.
De preferência podem perguntar a qualquer pessoa que tenha ido ao curso de arbitragem deste ano. Vão ver que ajuda a facilitar o trabalho em determinadas situações que se não agirem vão inflamar o controlo do campo, os jogos, e equipas.


(Posições no Breakout: A - Tem de ir checkar o "interior" dos jogadores que vão para as bases depois do breakout. B - Tem de estar atentos sempre a ambos os lados e compensarem. Os B por detrás da equipa tem de preferencialmente escolher o lado por onde a equipa aposta mais e comunicar com os A qualquer indicação. Os dois deitados são opção para quando se tem mais árbitros para ver o "interior" dos jogadores que fazem posições mais à frente de arranque. Regra geral para todos, viram algo vão atrás do jogador se for necessário.)

10 - Façam por merecer os pontos (recompensa), e ARBITREM COMO GOSTAM DE SER ARBITRADOS.

Jaime Menino

10 November 2009

Arbitragem Profissional - Orlando 2004


Segundo capitulo da aventura que foi arbitrar na NXL em 2004. Tive várias factores e situações que considero uma sorte nisto tudo: primeiro apanhei o auge do Paintball Profissional Norte Americano o primeiro ano de ouro quase a se transformar em platina e as repercussões de tudo que se estava a preparar, refiro-me claramente ao maior esforço para colocar paintball no formato de x-ball na tv. Segundo assisti a grandes jogos entre grandes "powerhouses", equipas de peso e renome a lutarem pela glória que é o reconhecimento. São profissionais mas nos momentos de jogo eles não estão a pensar no dinheiro mas sim no reconhecimento.
O World Cup é uma prova super tradicional e com um peso enorme na cultura do paintball americano e mesmo mundial, onde todos vão para ganhar os "bragging rights" mais duradouros da época. Em 2004 a NXL estava no seu auge e os donos da liga iam fazer a sua melhor aposta para lançar o paintball aos olhos de toda a comunidade desportiva com um episódio piloto para a ESPN 2, em resumo foi uma porcaria onde foi enterrado um milhão de doláres da Dick Clark Produtions.

Mas antes disto tudo, ou seja da prova como sempre a viagem e os aeroportos. Já antes de ir a Philadelphia, ao chegar ao aeroporto reconheci o local, pois aparece no DVD Sunday Drivers, tive aquela sensação de dejavu, mas ao chegar a Orlando com a primeira sequência do DVD Push na mente e ir do avião para o terminal no air train foi à falta de palavras uma sensação aterradora de dejavu. Imaginar que milhares de jogadores americanos e do mundo migravam para aquele aeroporto e viajavam todos com a mesma vontade de ganhar o World Cup e eu finalmente estava ali, bem mais cedo do que imaginava.

Apanhei em Lisboa mais um voo brutal desta vez com escala em Paris foi o último voo que apanhei marcado por terceiros... A partir deste comecei eu a marcar os meus próprios voos para não apanhar estes trajectos marados. Após a chegada aos EUA tive um pequeno problema, o meu green card da primeira vez que lá fui não tinha sido recolhido, na altura avisaram-me, só no ano seguinte tive o real problema...
Cheguei a Orlando e tinha de me encontrar com Charles e o Bob no aeroporto e depois iamos em carro alugado para Kissimmee, para um motel ao pé de Old Town. Tenho videos, fotos, e posso escrever mil palavras, mas nada como ir lá para sentir e cheirar, parece outro planeta (Florida). O constante ar abafado na rua, toda a gente vestida de calções e t-shirt, acreditem muito seriamente quando chegar aos 60/70 anos vou parar à Florida.
No hotel, que também aparece no Push, ficamos o dia todo de porta aberta a ouvir a quantidade de putos de equipas que se embriagavam e faziam porcaria, hilariante as situações naquela autêntica festa.
Orlando é basicamente uma cidade no interior da Florida, não é aquela típica cidade deste estado que toda a gente imagina estar cheia de velho reformados, mas o estado todo tem uma atmosfera muito de zona de férias, tipo um Algarve ou sul de Espanha sem o amontoado de construções. Kissimmee é uma localidade a sul de Orlando.

O local da prova eram os campos de softball ao lado dos campos de baseball do complexo de desporto da Dysney perto de Kissimmee, algo do género do tamanho de três complexos desportivos do Jamor. Havia um número impressionante de marcas e stands, com alguns a ocuparem uma rua inteira do trade show. Uns oito campos entre X-ball e 10 man.

Antes da prova os Philly Americans estavam bem convencidos de que iriam renovar mas as outras powerhouses estavam a prometer fazer a cama aos PA. Como os Oakland Assassins que tinham no ano anterior deixado escorregar o titulo, os Baltimore Trauma que queriam acelerar os resultados do seu programa, os “míticos” AfterShock que admitiam ter perdido o World Cup de 2003 (o ocasional que deixam escorregar) mas que por nada do mundo iam perder o de 2004, e muitas outras equipas que estavam ainda a um pouco perdidos neste formato e campeonato também não iam desistir facilmente de nenhum jogo ou ponto.
Fomos para o primeiro dia, com talvez seis jogos por dia, já agora naquela altura o World Cup eram nove dias seguidos de sábado a domingo da semana seguinte, com segunda- feira supostamente era folga, mas mesmo assim tive de ir ajudar os campos de 10 man e a prova de 5 man.
Rapidamente quem era mais fraco e expectável de ser eliminado da competição foi, os Miami Effect que na altura já eram os All Americans 2, depois da equipa do Lasoya ter saido e criado os Infamous a meio da época, foram logo a primeira bola assim comos os Legacy, os Ironmen ainda chegaram a defrontar os Trauma e ficaram-se por aí, os NYX também ficaram pelo caminho. Estranhamente as finais foram jogadas pelos Strange e os Philly Americans, o jogo para terceiro e quarto não aconteceu, era para ser entre os Oakland Assassins e os Aftershock, que não jogaram porque o jogo não seria filmado para o episódio piloto, apenas os dois dos três jogos de finais para definir o 1º e 2º lugar foram jogados e filmados.

Esta filmagem teve uns destaques giros: como a Dye nos dar equipamento novo completo, a V-force máscaras, a Bunkerking fazer umas bandanas para os árbitros (ainda tenho a minha, escrevam nos coments o que acham que tem escrito) que não pudemos usar infelizmente, o Jerry Braun (dono dos NYX e um dos coach's mais ordinários) a dar-nos dicas de que teriamos de nos conter com qualquer palavrão, um produtor a dizer que a partir daquela filmagem iriamos ser contractados e profissionalizados, colocarem em todos nós uma camera e uma bolsa canguru super pesada, trinta cameras e alguns operadores completamente acagaçados com as histórias de dor que lhes demos de tanga, dois jogos dos menos excitantes e mais aborrecidos de sempre com público quase forçado para haver público presente, uma cleaning crew do campo composta por All Americans 2 (work biaaaatches!!!), a SP em peso a fazer festa a lançar os foguetes e apanhar as canas, a possibilidade de ver o Dick Clark depois da trombose... Tudo para seis meses depois ver a pior apresentação e comentários de paintball de sempre. Tinham-me dado meio milhão e tinha feito melhor com mais views no Youtube.

No final da prova recebi os "prémios de temporada" além de só ter feito duas provas e convite para regressar no ano seguinte pelo comissário da NXL, mas isso são outros posts...